segunda-feira


TIRADENTES, UM MITO  PRODUZIDO

Libertas Quae Sera Tamem!  Ainda que tardia, nos resta estabelecer por quais razões  o movimento da Conjuração Mineira  estabeleceu  como líder  o Alferes  Joaquim José da Silva Xavier, “Tiradentes”. Do grupo, ele era o mais  desprovido de riquezas. Por que Tiradentes  e não Cláudio Manoel da Costa ou mesmo Alvarenga Peixoto, Tomás Antônio Gonzaga e os Padres José da Silva e Oliveira Rolim  e outros poucos, já  que o número de participantes era pouco mais de   vinte?
Tiradentes foi certamente o que  não  negou a participação  no movimento. Os outros, pediram clemência ou perdão a Realeza Portuguesa. Nos altos  da Devassa(Documento Oficial da condenação), Tiradentes foi o único  que assumiu a participação. Foi condenado a morte por enforcamento. A revolta  que teve como principal motivo a cobrança de impostos atrasados(Derrama)  foi uma tentativa  de natureza separatista contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português. O  movimento ficou só  na fase de planejamento. Defendiam a independência, implantação da República, com capital em São João Del Rei,  uma Universidade em Ouro Preto e a continuidade da escravidão. Tudo foi descoberto, e o pior, a denúncia  saiu de dentro do movimento. Silvério dos Reis(delator mais conhecido) entregou todo o plano esperando o perdão da Rainha D. Maria I.
Mas, de volta  a pergunta inicial: Por que Tiradentes ficou tão conhecido se  ele era alguém menor  no movimento? Dos participantes  só existia a elite colonial. Mas o movimento que ficou só no planejamento  e tinha  um número  muito pequeno de participantes tornou-se  feriado nacional. As respostas estarão presente somente no fim do século XIX quando o movimento republicano  tomou força   e os participantes precisavam de atos exemplares para justificar  as razões  e as necessidades  da implantação da República no Brasil. Além do mais, precisavam também de formas reais para mostrar que  a luta pela república há muita estava presente no Brasil e que  alguém já tinha sido punido gravemente  pela luta. É neste contexto  que surge Tiradentes  como um grande  líder  para convencer a população   que República  era a única solução  para o melhor  do Brasil. Tiradentes, um mito produzido por lideranças  da elite no final do período monárquico brasileiro.
Paulino Abranches


domingo


A MORTE DA DAMA E O VAGA-LUME
Diante da morte da Dama de Ferro,Margaret Thatcher, novamente o espaço para análises do projeto neoliberal volta a tona, principalmente quando os países  que defendiam tal projeto, hoje estão utilizando  de ações públicas  para acudir o mundo privado, ou seja, tornaram-se  vaga-lumes na lógica  do acender  e apagar   da  economia  mundial.  Assim,com a crise econômica mundial, volta o Estado como único capaz  de suportar o peso das falências. Trilhões de dólares já foram colocados para tampar o rombo produzido pela ganância dos ricos. Falcatruas, mensalões, especulações, ilusionismo, ficção e roubos institucionalizados  fizeram cair  a máscara do capitalismo  financeiro. As luzes do neoliberalismo estão apagadas, não pela morte da Dama,mas pela  falência  dos países ricos.
Toda teoria  apresentada  pelos neoliberais ( mínima participação estatal nos rumos da economia de um país; pouca intervenção do governo no mercado de trabalho; política de privatização de empresas estatais;livre circulação de capitais internacionais e ênfase na globalização; abertura da economia para a entrada de multinacionais; adoção de medidas contra o protecionismo econômico; desburocratização do estado: leis e regras econômicas mais simplificadas para facilitar o funcionamento das atividades econômicas; diminuição do tamanho do estado; posição contrária aos impostos e tributos excessivos; aumento da produção, como objetivo básico para atingir o desenvolvimento econômico; contra o controle de preços dos produtos e serviços por parte do estado, ou seja, a lei da oferta e demanda é suficiente para regular os preços; a base da economia deve ser formada por empresas privadas; defesa dos princípios econômicos do capitalismo.)foi desbancada por uma realidade  que colocou a Europa e os Estados Unidos como países  em crise.
Fica o alerta  dos críticos do neoliberalismo: a economia neoliberal  só beneficia as grandes potências econômicas e as empresas  multinacionais. Os países pobres ou em processo  de desenvolvimento, como o Brasil, sofrem com os resultados  de uma política  neoliberal(desemprego, baixos salários, aumento das diferenças  sociais e dependência do capital internacional.).A mídia  tradicional e ligada ao capital internacional parou de mostrar as manifestações contra os gastos estatais  do funeral da Dama de Ferro. Fica claro para todos nós  que os protestos populares contra as instituições financeiras  e governos, tanto na Europa como nos Estados Unidos,  mostram que o modelo neoliberal faliu, apagou,talvez  volte a acender novamente  quando tudo estiver equilibrado a serviço dos ricos.
Na América Latina de hoje, alguns países (Venezuela, Bolívia, Brasil, Argentina, Equador e  Uruguai)  conseguiram mostrar  que é possível fortalecer a economia de um país  distribuindo renda, gerando empregos e recuperando a influência  do Estado nos rumos  da Nação.
Paulino Abranches