domingo

TERCEIRO SETOR, O CAMINHO DAS ONGs


Com uma plateia superior a setenta pessoas, todas lideranças de Entidades  Sociais  do Terceiro Setor, a Câmara Municipal de Itajubá, a partir de uma solicitação feita por mim,  promoveu  um curso de capacitação para as ONGs  de Itajubá.  O objetivo do curso é proporcionar uma qualificação para os integrantes e possibilitar uma visão mais profissional do setor. 
Não só em Itajubá, mas em todo país, o Terceiro Setor tem garantido a questão dos direitos sociais, porém, ainda em passos mínimos na lógica de respeitabilidade diante dos governos.  As referidas Entidades ficam a mercê da boa vontade do governante que não prioriza as deliberações dos Conselhos Paritários do município.  O que temos, no momento, são disposições de lideranças que acreditam na formação de uma sociedade mais justa, humana, solidária e equilibrada socialmente. Porém, o governo Federal tem proporcionado condições para o fortalecimento das estruturas  de tais entidades oferecendo tipificações   visando facilitar o caminho burocrático de liberações de verbas públicas. Esta parceria, quando existe, torna o trabalho das Entidades mais sustentáveis e consequentemente quem ganha é a parcela social desprovida de direitos e condições de sobrevivência.
Na prática o que falta para os gestores públicos, principalmente nos municípios é a sensibilidade de percepção social. Muitos levam para o pessoal o que teria que ser coletivo. Muitas vezes o que existe é uma perseguição pessoal, afetando Entidades na não liberação de recursos. Quem perde, certamente, é a população que necessita de amparo.
Criar condições para a sobrevivência das ONGs é o caminho da sustentabilidade social.  Quando o poder público municipal não consegue oferecer serviços básicos à população, o mesmo teria que abraçar a causa das ONGs pois nelas  existem também  serviços de muita qualidade. Como consequência da parceria, Poder Público Municipal e ONGs, poderemos atingir a justiça social que tanto desejamos.
Vereador Paulino Abranches

Crescimento econômico só com inclusão social. Mas é preciso trazer a inclusão para a área da Saúde.


 O Brasil tem mostrado ao mundo que é possível crescer economicamente a partir de programas sociais que visam a inclusão. Acabou a época que governos brasileiros diziam que era necessário esperar o bolo crescer para depois dividi-lo, Hoje temos políticas públicas, ligadas a programas federais que garantem uma divisão das riquezas do país incluindo nestas divisões as populações de baixa renda. Isto só acontece a partir de ações governamentais. Para isto ser concretizado nos municípios é de fundamental importância que prefeitos entendam a lógica de políticas públicas. A população pobre não quer favor, mas sim oportunidades.
Em nossa cidade temos inúmeros casos, na área da saúde pública, onde a população não consegue entender que crescimento é este que o Brasil passa que nunca chega  em seus lares. São exames não liberados, consultas de especialidades que demoram quase um ano para se efetivar, remédios da cesta básica do SUS que quase sempre não existem nas farmácias públicas do município, atendimento ao paciente de forma nada profissional e humanizada, locais de atendimento nada parecido com um  posto de saúde, translado oferecido aos pacientes que precisam de tratamento fora de Itajubá são distantes de uma qualidade, quadro de médicos  só na esfera básica sem as especialidades  que o mundo médico possui, pronto socorro  concentrado em atendimentos básicos e não emergenciais pois não existe atendimento público nos ambulatórios municipais  após as 17 hs,  enfim, o caos na saúde pública do município não condiz com o crescimento econômico do país e nem tão pouco com a divisão  de riquezas anunciadas constantemente por institutos conceituados do mundo e do Brasil.
O Brasil Sem Miséria é uma fase posterior do programa Bolsa Família. É uma fase que vai além da transferência de renda. Ela representa a inclusão produtiva da população extremamente pobre e o acesso a serviços públicos. Neste campo, temos que nos empenhar para garantir o serviço de saúde com qualidade. Isto é possível se estivermos ligados diretamente aos programas do governo federal na área da saúde.
Em Itajubá, até parece que os programas de saúde, desenvolvidos pelo governo federal, não existem. São dezenas de programas que não chegaram em Itajubá. A razão é simples: a área da saúde pública de Itajubá não foi buscar tais programas. Eles existem, mas o município tem que dar sua contrapartida. É um absurdo presenciarmos a distribuição de seringas aos diabéticos e os mesmos serem orientados a reutilizá-las por até três vezes. O Brasil que cresceu não suporta mais estas atitudes. Qual o preço de uma seringa descartável? Qual o número de diabéticos em Itajubá? O município não teria condições econômicas de distribuir as tais seringas para que as mesmas fossem na lógica descartável?  Este é o Brasil que cresce em Itajubá?
Vereador Paulino Abranches