sábado

Congresso em Foco: Jornalistas apontam bancada do PT como a de maior prestígio


A bancada de deputados federais do PT na Câmara voltou a mostrar prestígio. Eleição realizada pelo site Congresso em Foco entre os 176 jornalistas de 49 veículos de comunicação que fazem a cobertura do noticiário no Legislativo revelou que os petistas são os parlamentares mais bem avaliados pelos repórteres e colunistas.

"Considerando o total de votos computados, o PT emerge da pesquisa como a legenda com a atuação parlamentar mais bem avaliada pelos jornalistas que cobrem o Congresso Nacional", afirma o site.

A eleição mostrou que 26,8 % dos parlamentares da bancada petista na Câmara estão com excelente avaliação. Foram 164 votos dados aos deputados do PT. Os senadores petistas também foram bem avaliados e obtiveram 17,8% dos votos dos jornalistas. Os jornalistas, no levantamento, poderiam votar em mais de um parlamentar.

"A esquerda e a centro-esquerda tiveram 67 (34,71%) de seus 193 congressistas citados pelos jornalistas; os partidos conservadores - de direita ou centro-direita - receberam citações para 28 (13,79%) de seus 203 representantes no Congresso citados; e os partidos de centro tiveram 48 (25,94%) dos 185 nomes no Parlamento citados", diz o site. Com base na lista escolhida pelos jornalistas, os internautas poderão votar nos parlamentares de sua preferência. Participe da votação pela internet no site congressoemfoco.com.br.

Segunda maior bancada da Câmara, com 79 deputados, atrás apenas do PMDB, o PT também foi considerado pelo levantamento do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (DIAP) a bancada com maior prestígio no Congresso, com 19 parlamentares escolhidos.



Fonte: http://www.pt.org.br/portalpt/index.php?option=com_content&task=view&id=82709&Itemid=195

Golpista hondurenho desmente mídia brasileira

Amigos, importante é avaliar as notícias com lucidez. Por isso compartilho com vocês as informações abaixo:
Paulino Abranches.


A declaração de ontem do autodenominado presidente interino de Honduras, o golpista Roberto Micheletti, ao jornal argentino “Clarin”, desmoraliza a cobertura da “crise em Honduras” realizada por alguns dos principais órgãos de imprensa do Brasil. Foi o próprio golpista hondurenho quem declarou: “Tiramos Zelaya por seu esquerdismo e corrupção. Ele foi presidente, liberal, como eu. Mas se tornou amigo de Chavez, Correa e Evo Morales”. Segundo Micheletti, o presidente eleito, Manoel Zelaya, preocupou as autoridades hondurenhas, pois “se tornou esquerdista” e convidou “comunistas” para seu governo. Estes foram os motivos do golpe segundo seu principal artífice.

A esmagadora maioria das matérias veiculadas nos jornais impressos e telejornais brasileiros iniciam ou terminam seus textos com ressalvas do tipo: “o presidente deposto, Manuel Zelaya, que pretendia alterar a Constituição para se manter no poder” ou “Manuel Zelaya deposto após tentar aprovar sua reeleição”. A informação, repetida mil vezes por aqui, era que Zelaya queria aprovar sua reeleição, contrariando a constituição, e, por isso, havia sido derrubado. Esqueceram-se, apenas, de combinar o discurso com o golpista Micheletti.

Muita gente bem intencionada preferiu reproduzir o mantra oficial, ao invés de proceder a averiguação dos fatos. Digna exceção foi o experiente jornalista Mauro Santayana que nos alertou, em artigo publicado no Jornal do Brasil, para o fato de que Zelaya não propunha a aprovação de sua reeleição, mas sim uma consulta à população sobre reforma constitucional. Ainda que tivesse em seus planos aprovar a reeleição naquele país, já não haveria tempo de o próprio Zelaya beneficiar-se da mesma. O artigo de Santayana está disponível emhttp://www.cut.org.br/content/view/16873/170/

Desde o início da “crise em Honduras”, a cobertura da mídia brasileira procura omitir informações e distorcer fatos com o claro objetivo de relativizar o golpe naquele país. A começar pelo sutil eufemismo com que os jornais anunciam suas matérias. As “cartolas” dos grandes jornais (aquele titulozinho que fica acima das matérias) falam de “crise em Honduras”, quando deveriam estampar “golpe em Honduras”, pois é disto que se trata.

Os ataques à posição do governo brasileiro frente ao golpe, buscam disfarçar a evidente concordância de parte dos escribas da direita brasileira com os golpistas. Frente a um presidente que pretende “perpertuar-se” no poder, o recurso ao golpe de Estado é algo perfeitamente válido para alguns articulistas da grande imprensa. Naturalmente, o mesmo ardil não seria válido nos casos de Álvaro Uribe, que tenta aprovar, este sim, sua própria reeleição, ou do próprio FHC, que o fez com apoio da grande mídia.

A relação instrumental de parte da grande mídia com a democracia é algo, no mínimo, preocupante. Em um país recentemente governado por um regime de exceção – que ainda caminha para uma efetiva reconciliação com seu passado – a complacência de órgãos de imprensa com um golpe de estado não pode ser aceita passivamente pelas forças democráticas. Ainda mais se somarmos este fato à postura da grande mídia frente ao tema da punição dos torturadores do regime militar. O que está em jogo é o futuro da questão democrática no Brasil. E, infelizmente, não há grandes indícios de que a democracia e o respeito à soberania do voto popular sejam temas universais em nosso país.



Vinícius Wu é assessor especial do ministro da Justiça

Publicado originalmente em www.leituraglobal.com